hobbie

Eu cresci vendo minha irmã dançar. Não só dançar, ela sempre foi extremamente engajada no que se envolvia, diferente de mim. Nunca acreditei que eu tinha jeito pra nada, e como desde criança luto com a balança, sempre fui extremamente insegura nos esportes e hobbie que me envolvia, o que fez com que eu nunca fosse boa em nada e nem me sentisse confortável em ambientes assim. 

Em 2019 eu me mudei para São Paulo em um novo desafio profissional, montei toda minha vida aos arredores da minha empresa pensando em ter qualidade de vida e determinada a encontrar alguma coisa que eu gostasse de fazer, afinal, estava na capital. Lembro que voltava do trabalho nos primeiros dias e ficava andando pelas ruas do meu bairro, procurando academias, estúdios ou o que quer que aparecesse, até que encontrei a minha escola de dança.

Quando entrei lá e o dono me apresentou as modalidades, pensei: “nunca, jamais, de jeito nenhum vou dar conta”. Todas as modalidades que a escola oferecia eram “solo” e eu só tinha experiência com dança a dois, que como iniciante você aprende uns passinhos, seu parceiro te conduz e é super tranquilo. Agora, uma dança solo, seria 100% comigo. Além disso, ele me deu a notícia que se eu entrasse, dentro de 2 meses haveria uma apresentação, e ela seria em um palco. Refleti uns dias, fiz umas aulas experimentais e decidi me arriscar. A partir daí, minha vida mudou.

Eu lembro de quando eu estava procurando estágio e depois trainee que costumava ouvir nas entrevistas “qual é seu hobbie?” ou “o que você gosta de fazer no seu tempo livre?”. Eu ficava muito nervosa com essa pergunta, não entendia o objetivo dela, respondia coisas super genéricas e me causava uma frustração imensa. Hoje, se eu precisasse entrevistar alguém, eu certamente faria essa pergunta.

A dança me ensina todos os dias e a primeira lição dela é sobre coragem: coragem de me jogar, de enfrentar os meus medos, de aprender algo novo, de sair da minha zona de conforto. Depois, ela traz paciência, resiliência e disciplina, porque os processos nem sempre são tão rápidos quanto a gente gostaria e a vontade de desistir aparece de vez em quando. A dança me ensina a me respeitar, a me conhecer, a mostrar minha vulnerabilidade e a minha força. Ela remodela o meu mindset sobre mim mesma, o que tem um impacto imenso na minha vida pessoal e profissional.

No meu caso é a dança, mas ter um hobbie é ter um lugar “seu”, que você abaixa as armaduras necessárias para viver em sociedade, que você relaxa o corpo e a mente, que você se conecta com pessoas diferentes de você. Um hobbie te permite a superar desafios, a se enxergar com menos autopiedade e acaba virando a sua marca.

Hoje a frequência com que eu falo ou penso “eu não consigo” são infinitas vezes menor do que antes. Agora o mindset é “eu vou conseguir até o dia x”, que é quando eu vou precisar daqui, e aí treino, treino e treino. Hoje vivo muito mais tranquila porque tenho onde desfazer qualquer sentimento negativo que esteja carregando comigo. Hoje digo “não” para muitas coisas/eventos (e até pessoas) que não me agregam tanto, para fazer algo que eu amo e que me ensinam milhões de coisas. 

Então se você não tem um hobbie ou nunca encontrou nada que te complete e te faz crescer todos os dias, recomendo fortemente! “Ah Bianca, mas hoje você é boa nisso e se sente confortável?” – claro que não! É muito mais sobre ser consistente em algo que você acredita que te faz bem do que ser perfeita naquilo. Fora isso, é aproveitar o processo e comemorar cada pequena vitória. 

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